A cirurgia para tratamento de doenças da coluna vertebral tem experimentado avanços tecnológicos significativos nas últimas décadas. Anteriormente, os procedimentos cirúrgicos eram realizados com a ajuda da escopia intraoperatória, uma tecnologia de imagem em tempo real utilizada para auxiliar na passagem dos parafusos nas vértebras. Esse método, apesar de ser utilizado amplamente até hoje, apresenta limitações. Posteriormente, foi criado o sistema de neuronavegação, onde o cirurgião em tempo real consegue enxergar onde está alocando os parafusos, um grande marco para a cirurgia da coluna vertebral.
Como funciona a cirurgia robótica
Há cerca de duas décadas e em constante modernização, surgiu uma inovação ainda mais impactante: a cirurgia robótica para coluna vertebral. Na cirurgia robótica, primeiramente faço com que o software do robô realize a fusão de uma tomografia pré-operatória, onde já realizo todo o planejamento cirúrgico do posicionamento dos parafusos, e a escopia intraoperatória, que fornece informações sobre a posição atual da coluna do paciente na mesa cirúrgica. Com isso, o robô consegue reconhecer tridimensionalmente o posicionamento do paciente na sala cirúrgica e guiar o cirurgião para a colocação dos parafusos programados com máxima precisão.
Vantagens da cirurgia robótica
As vantagens da cirurgia robótica para coluna vertebral são diversas:
- Incisões menores, o que reduz o dano aos tecidos subcutâneos e à musculatura da coluna vertebral.
- Redução significativa no risco de posicionamento inadequado dos parafusos, garantindo maior segurança ao paciente.
- Diminuição do tempo cirúrgico e, consequentemente, do tempo sob anestesia.
- Recuperação mais rápida, com menor tempo de internação pós-operatória e menor necessidade de medicamentos para controle da dor.
Como resultado, os pacientes podem retornar mais rapidamente às suas atividades diárias.
Experiência nos Estados Unidos
Durante meu período nos Estados Unidos, onde atuei como Neurocirurgião pela Florida Atlantic University, tive a oportunidade de operar mais de 30 casos utilizando cirurgia robótica para passagem de parafusos na coluna vertebral. Além disso, fui treinado por neurocirurgiões americanos com vasta experiência nessa técnica, tendo eles realizado centenas de casos. Os resultados que obtive foram impressionantes e consolidaram minha convicção de que essa tecnologia deve ser incorporada sempre que possível para beneficiar os pacientes.
O robô substitui o cirurgião?
Uma dúvida frequente entre os pacientes é se o robô pode substituir o cirurgião. A resposta é não. O robô é uma ferramenta de extrema precisão, mas a expertise do cirurgião ainda é fundamental para garantir que o procedimento ocorra de maneira segura e eficaz. O robô posiciona seu braço robótico de forma firme no local e angulação corretos para a implantação dos parafusos, baseando-se nas informações pré e intraoperatórias fornecidas pelo cirurgião. No entanto, a técnica, a sensibilidade e a experiência do especialista continuam sendo indispensáveis para o sucesso da cirurgia.
Essa tecnologia já está disponível no Brasil?
Sim. Nos últimos anos, diferentes marcas de robôs cirúrgicos começaram a chegar ao país, trazendo benefícios diretos para os pacientes. Embora a adoção da tecnologia ainda esteja em fase inicial em muitos hospitais, a tendência é que seu uso se torne cada vez mais disseminado, permitindo que um número maior de pacientes tenha acesso a cirurgias mais seguras e menos invasivas.
Mudando a percepção sobre cirurgia de coluna
No Brasil, muitas pessoas ainda sentem medo quando o assunto é cirurgia da coluna vertebral. É comum que associem esses procedimentos a riscos elevados e a uma recuperação difícil. No entanto, a cirurgia robótica tem o potencial de mudar essa percepção, proporcionando um maior conforto ao paciente e reduzindo o estigma que cerca as cirurgias de coluna.
À medida que mais hospitais e centros cirúrgicos adotarem essa inovação, espera-se que a aceitação da cirurgia da coluna vertebral aumente entre os pacientes. Com o tempo, é provável que essa abordagem se torne um padrão nos procedimentos cirúrgicos da coluna, proporcionando resultados ainda melhores e consolidando um novo paradigma na neurocirurgia e ortopedia.


